segunda-feira, 28 de março de 2011

Material para encontro catequese sobre Missa


Amado de Deus,
Não sei se isto acontece na sua paróquia, mas todos os anos tenho o desafio de levar os catequizandos a frequentarem a Santa Missa aos domingos.
Muitas vezes percebo a dificuldade até mesmo dos pais em buscar Jesus na Eucaristia.
Ao longo do ano procuro elevar Jesus Eucarístico de várias maneiras, falando sobre os milagres Eucarísticos, contando minhas experiências como ministra de Eucaristia, tempo em que tive uma intimidade grande com Jesus Eucarístico, experiências estas que prometo ir postando aos pouquinhos, mas, ano passado recebi de uma amiga catequista a sugestão deste texto de Padre Fábio de Melo e que achei fantástico e que percebi logo os frutos.
Vou contar.
No início do ano temos o costume de fazer um Encontro com os pais e os catequizandos para nos conhecermos melhor e passar a programação do semestre.
Neste encontro, não diferente de todos os anos, percebi que muitos pais não tinham o hábito de ir à Santa Missa aos domingos, razão pela qual os meninos também não frequentavam e sempre ficavam sem jeito quando eu os cobrava.
Lemos o texto e partilhamos um de cada vez a vivência e a experiência com Jesus Eucarístico.
Aproveitei a situação para expor algumas das minhas experiências com Jesus, quando ministra da Eucaristia, principalmente quando tinha a tarefa de guardar a âmbula no Sacrário e Jesus me pedia, enquanto fazia o trajeto segurando a âmbula cheia de hóstias, que rezasse por todos os que, embora esperados por Ele, não compareceram ao banquete. 
Jesus, por várias vezes, falou forte em meu coração: "Estas hóstias, filha, tinham donos, eles não quiseram vir, Me desprezaram, ainda não Sou o Senhor de suas vidas...reza, filha, em desagravo ao Meu Coração que foi abandonado por tantos...reza pela conversão destas almas, filha..."
Pedi a Jesus a graça especial de ver os frutos deste encontro.
Passados alguns domingos, resolvi ir a missa das 11hrs, o que não é o meu costume, e qual não foi a minha alegria ao ver quatro, dos treze, catequizandos acompanhados de seus pais.
Ao longo do semestre pude ver quase todos frequentando as Missas aos domingos em família e ainda os vejo.
É certo que não foram todos, mais garanto que 90% passou a frequentar as Missas aos domingos...
Sendo assim, queridos companheiros catequistas, segue abaixo o texto de Padre Fabio de Melo...
Sejamos todos, amados de Deus, fortes e corajosos, não tenhamos medo de falar sobre a necessidade e a coerência do ser católico e a frequência a Santa Missa!
Vamos juntos nesta tarefa, nesta luta e Nosso Senhor esteja sempre conosco!
PAZ!




 Segue o texto...

Quando a missa se torna uma obrigação...

Religião é uma forma de religar. Religa partes, une pontas e diminui distâncias. O sacramento está sempre unido a um símbolo justamente por isso, pois ele é uma forma de concretizar a natureza da religião. Ele é a parte humana que se estende em direção a Deus com o intuito de tocá-lo e experimentá-lo. O símbolo é uma forma de prazer e o sacramento também, pois nele o sacrifício está redimensionado, já tem cores de ressurreição.
A pergunta
O menino chegou e perguntou-me: "Padre, eu sou obrigado ir à missa?". Olhei seus olhos e percebi uma honestidade na questão formulada. Junto da honestidade, havia uma ansiedade que lhe impedia o sorriso. No rosto, não havia alegria. Estava tomado de uma certeza de que a liturgia católica, para ele, estava longe de ser um acontecimento que lhe extraia gratuidade. Era uma obrigação a ser cumprida.
Sua voz parecia me pedir socorro, feito escravo com sua carta de alforria em mãos, a me pedir assinatura.
Naquele momento, fiquei sem palavras. Senti o coração apertado no peito e o desejo de nada responder. Reportei-me à Escritura Sagrada e senti-me como o próprio Abraão, diante do questionamento de Isaac: "Pai, onde está a vítima do sacrifício?" (Gn 22, 7). Pergunta que não tem resposta. Pergunta cheia de ansiedade, de silêncio, de motivos, honesta e plena de razões.
Olhei-o com muita firmeza e resolvi desafiá-lo: "É obrigado visitar alguém a quem se ama?". Ele disse: "Não, não é não, padre". Seguiu-se o silêncio. Calou-se ele, e eu também.
A pergunta que não cala
Algumas horas depois, retomei sua pergunta e fiquei pensando nela. Coloquei-me a pensar na religião que se apresenta ao coração humano como obrigação a se cumprir, feito mochila pesada que se leva nas costas.
Fico pensando no quanto a obrigação pode se opor ao prazer. E o quanto é contraditório fazer a religião ser o local da obrigação. Na expressão: "Deus é amor" (1Jo 4, 8), definição que João nos apresenta em sua carta, está a declaração da gratuidade de Deus.
Deus é o próprio ato de amar. Ele é o amor acontecendo, e a liturgia é a atualização dessa verdade na vida das pessoas. Ir à missa é tomar posse da parte que nos cabe.
Tudo o que ali se celebra e se realiza tem o único objetivo de nos lembrar que há um Deus que se importa conosco, que nos ama e quer nos ver mais de perto. O sacramento nos aproxima de Deus.
Tudo bem, essa é a Teologia, mas e a vida, corresponde à verdade teológica?
Nem sempre. Nosso rito, por vezes, cansa mais do que descansa. É lamentável que a declaração de amor de Deus por nós tenha se tornado uma obrigação.
Sou obrigado a ouvir alguém dizer que me ama?
Se muita gente pensa assim, é porque não temos conseguido "amorizar" a celebração. Racionalizamos o recado de Deus e o reduzimos a uma informação fria e calculada. Dizemos: "Deus nos ama!", da mesma forma como informamos: "A cantina estará funcionando depois da missa!".
A resposta que responde perguntando
Pudera eu ter uma solução! Ou quem sabe uma resposta que aliviasse os corações que se sentem obrigados a conhecer o amor de Deus, como o coração daquele menino.
Talvez, o teu coração também já tenha experimentado essa angústia e essa ansiedade. Gostaria de saber restituir o sabor lúdico das celebrações católicas. Torná-las acontecimentos reveladores, palavras para não serem esquecidas e imagens que despertassem o coração humano para o desejo de descansar ali todas as questões existenciais que o perturbam.
O problema não está no conteúdo do que celebramos, mas, sim, na forma.
A natureza simbólica da vida é o lugar do encanto. Por isso, a celebração é cheia de símbolos. Mas o símbolo, se explicado, deixa de ser símbolo, perde a graça e deixa de comunicar. Talvez seja isso o que tem acontecido conosco. Na ansiedade de sermos eficientes, tornamos a celebração um local de comunicar recados. Falamos, falamos, de maneira ansiosa, cansada e repetitiva. Temos que falar algo, pois também o padre tem a sua obrigação!
E assim vamos celebrando, obrigando o coração e os sentidos a uma espécie de ritual que nos alivia a consciência, mas não nos alivia a existência.
A missa é muito mais do que uma obrigação: é um encontro. Encontro de partes que se amam e se complementam. É só abrir os olhos e perceber!
Creio que possa ser diferente.
Padre Fábio de Melo

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